sexta-feira, 11 de setembro de 2020

HISTÓRIAS DA VARIG - LEMBRANÇAS DO GRANDE AVIÃO AVRO

 

Era outra época da aviação, mais rústica, aeronaves turbo-hélices, aeroportos menores, pelo interior do Brasil, nessa época a Varig operava com um avião pequeno que pousava em qualquer pista, o famoso Avro, sempre operavam somente três tripulantes, piloto, copiloto e um comissário, e algumas vezes acompanhavam um mecânico de voo, que como sempre era o mesmo, os tripulantes já o chamavam de Chico Anísio (devido ser parecido com o humorista) e esse rapaz passou, acredito eu, ter sido a maior vergonha da vida dele,como vou descrever a seguir: no Avro, havia uma porta

de acesso externo que ficava atrás do espelho do banheiro em frente ao vaso, que levava ao compartimento de carga do avião, e o responsável pelo fechamento dessa porta era sempre o comissário, mas que um dia,com o avião em solo, o Chico resolveu fazer o número dois, e em um dado momento um funcionário do aeroporto abriu a porta erradamente por fora, e pronto Chico ficou de calças arriadas para o aeroporto inteiro ver, foi uma risada só.

Eram tempos difíceis na aviação, o comissário fazia tudo, cuidava dos passageiros, da carga, do balanceamento e o pior recolhia em um balde que ficava preso embaixo do toalete do avião, os excrementos do banheiro, e depois despejava o conteúdo ao lado da roda direita da aeronave, longe da porta por causa do mau cheiro, mas sempre, em troca de uma caixa de lanche, o pessoal da bagagem fazia esse serviço sujo, caixa de lanche naquela época valia ouro, já os demais tripulantes comandante e copiloto no máximo verificavam o motor e pneus, uma moleza, sobrava tudo para o comissário, nas escalas, pois naquela época pessoal de terra (apoio) era raríssimo. Sempre a chegada destes voos da Varig nestas localidades, era muito esperada por todos, pois significava uma integração com o mundo externo, já que os aviões traziam os jornais do dia da capital, e isso, em época que não havia internet, era importante para a população se conectar com o mundo de fora, sem contar as encomendas e outros benefícios. O Avro era um avião seguro pequeno, que fazia curtas e médias distâncias, mas que teve um acidente registrado em 1975 em Goiás na localidade de Pedro Afonso, onde o avião após decolar, teve que retornar por problemas técnicos, e ao tentar pousar bateu em uma casa matando 3 ocupantes da casa e o copiloto Lemos, os demais tripulantes, sendo que o comissário Nelson, um português, narrou que sobreviveu, porque se sentou no último assento da cabine, ignorando o assento dos tripulantes, que no pouso voou longe, ou seja, se estivesse lá, teria morrido, assim é a vida, o comandante quebrou uma perna e os 12 passageiros a bordo saíram sem um arranhão, esse fato, serve para se ter uma ideia de onde este avião pousava, no interior do Brasil e da precariedade dos primórdios da aviação. Este avião tem uma história engraçada que me foi contada por um colega de voo daquele tempo e conta sobre um comissário antigo, já falecido, o comissário Saad, um turco e negociante, que nestes voos pelo interior com várias escalas, passava as caixas de lanche rapidamente, para, logo depois usando o próprio braço de expositor, saia pela cabine do avião oferecendo aos passageiros, os relógios, gravatas, e outras muambas que ele comprava em Manaus. Ele sempre vendia, e os passageiros, pessoas simples e garimpeiros com dinheiro compravam muito essas muambas, realmente esse comissário foi o precursor do Free Shopping a bordo das aeronaves.

VOAR UM GRANDE LANCE . HISTÓRIAS DA AVIAÇÃO.






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