LOCAL — ÁREA
INDUSTRIAL-TEMA CATERING
DA VARIG — ANOS 80
EM DIANTE.
Delícias aéreas. O
envolvente, curioso e carinhoso trabalho de bastidor de uma Gerência de Serviço
de Bordo. Será que o trolley já saiu do holding e os inserts já estão na galley
para serem tanqueados? Parece papo de extraterrestre, mas nos bastidores do
serviço de bordo de uma empresa aérea bem que pode acontecer. De qualquer
maneira, é melhor traduzir. Trolley, você conhece, é aquele carrinho onde vão as bandejas das refeições. Holding box é, em terra, a
câmara fria onde ficam as bandejas prontas para serem servidas. Galley é aquela
cozinha-copa logo na entrada ou, no fundo da aeronave, cheia de compartimentos
milimetricamente dispostos e numerados com rigor de astronauta — errou o lugar
do copo, bagunça tudo. Insert é uma grade removível que, inserida no forno
elétrico da galley, esquenta as “quentinhas” que, na hora de serem servidas,
são tanqueadas na bandeja. Parece meio complexo?
Pois, essa é apenas a parte
final de um longo processo em que não se poupam esforço e imaginação para
tornar mais prazerosa a viagem dos passageiros. A hora do lanche ou refeição em
geral significa o primeiro grande momento de prazer e descontração a bordo. Por
isso a Varig fazia tudo para que ele seja bom mesmo. Cabia à Gerência do
Serviço de Bordo escolher e supervisionar o catering da Varig na Área
Industrial e, as empresas fornecedoras de refeições, ao longo da vasta malha de
rotas da companhia que envolvia o Brasil todo. Era preciso prever, para
milhares de passageiros, cinco serviços diários-café da manhã, lanche
intermediário, almoço, happyhour e jantar. O menu geral previa oito opções para
cada um desses cinco momentos da viagem, visando surpreender o viajante
frequente, pois a cada 48 horas o cardápio era mudado. A ideia, sempre, era
providenciar a comida certa para o estado de espírito dos diferentes horários.
Para o happyhour da volta, por exemplo, cubinhos de provolone acompanhados de
azeitonas pretas e orégano compunham a entrada de um lanche reconfortante. A
cada ano o menu geral era todo refeito. Além disso, havia o Express Meal, já
consagrado na Ponte Aérea, design e atrações próprias. Mediante solicitação
prévia, a Varig tinha condições de oferecer refeições especiais dentro de
quatro diferentes grupos.
As
terapêuticas, com baixo teor de sal para hipertensos, com baixa caloria para
dietas e ainda uma especial para diabéticos.
As religiosas, como
a judaica kosher, feita sob orientação de um
rabino, e as filosóficas, como as vegetarianas, ovo-lacto vegetarianas e as
infanto-juvenis-refeições para bebês de 0 a 2 anos e lanches para crianças de 2
a 12 anos.
O Serviço de Bordo da Varig, com suas
características inesquecíveis, nasceu praticamente quando Ruben Berta, em 1954
começou a planejar as rotas para os Estados Unidos. Ele criou o setor com o
objetivo de oferecer aos passageiros o mais alto padrão de atendimento. Em
pouco tempo, conseguiu situá-lo ao nível das maiores e melhores empresas do
mundo, destacando-se pela sua categoria.
Dentro desta filosofia e obedecendo a
um projeto de concepções originais, onde estava englobado o que de melhor
existia no setor, a Varig construiu o maior complexo de Serviço de Bordo da
América Latina para a época: o Catering-Rio. O prédio tinha 16.000m² divididos em três andares e um
subsolo onde se encontravam dezenas de câmaras frigoríficas, cozinhas quente e
fria, depósitos, laboratórios de microbiologia, adegas, salas de instrução e
palestras, e uma série de equipamentos criados especialmente para ele. Além de
atender a Varig, essa cozinha podia produzir também receitas extras, com a
prestação de serviços a terceiros, para os quais havia instalações completas,
suficientes para atender 26 empresas, em áreas especiais do edifício. O Catering de serviço de Bordo da Varig era
responsável também por outros aspectos igualmente importantes, para uma viagem
feliz, como kits médicos, leituras e música a bordo e a própria apresentação da
aeronave. Mas é claro que, dentre todas essas funções, aquela que diz respeito
à comida e bebida é a mais conhecida, elogiada — e saboreada.
Pratos assinados por
grandes chefes de cozinha foram novidade no serviço de bordo da Varig na década
de 90, no novo Boeing 777, os chamados pratos da boa lembrança, em que os
passageiros levavam os pratos decorados com o menu degustado no voo, foi um
sucesso na época.
VOAR UM GRANDE LANCE
– HISTÓRIAS DA AVIAÇÃO