terça-feira, 15 de setembro de 2020

HISTÓRIAS DA VARIG - TROTES A BORDO NOS NOVATOS

 

TROTES DA AVIAÇÃO 

Este tema é muito discutido, pois, tem gente desaprova, alegando que segurança é coisa séria e não se deve brincar, mas eu sou da turma que acha que não faz mal nenhum um trotezinho em um novato de vez em quando. Veja alguns dos trotes de meu tempo:

 A Famosa Manteiga na Máscara de demonstração, quando você ia fazer a demonstração e na hora de colocar a máscara na boca e nariz, pronta surpresa, tinha manteiga, chocolate e ate suco de tomate;

 A mais leve que era na hora da demonstração, era inverter as posições das portas, e você ficava com cara de bobo no meio da cabine;

 Em uma escala você chegava para o novato com um bule com água em uma bandeja e pedia para ele descer ao porão para dar água para o animal que La estava no maior calorão e no meio do pessoal de terra mexendo com a carga;

 A famosa lasanha que fazíamos de modess com suco de tomate e queijo, pra você ver a fartura dos voos, sempre embarcava modess feminino extra, e suco de tomate era comum nos carros de bebidas;

Mandavam o pobre comissário buscar a chave do aeroporto na torre de controle em Foz do Iguaçu, que possuía aproximadamente 200 degraus. Ao chegar lá em cima, o controlador dizia que o aeroporto estava fechado por neblina e não pelo fechamento da porta!

 Outra pegadinha acontecia numa dessas escalas rumo ao nordeste. Pediam para o comissário descer e ir até o aeroporto solicitar um botijão de gás, pois o botijão da galley do avião estava no fim! Não se davam conta de que todos os equipamentos são elétricos!

Faziam também pegadinhas mais pesadas, como passar chocolate nas paredes e no espelho do toalete e pedir para o comissário novato limpar. Diziam que um passageiro não tinha conseguido “acertar” o local correto durante turbulência e aquela nojeira toda deveria, é claro, ser limpa pelo mais novo;

 Quando uma comissária estava em instrução, enchiam o saco plástico para ser usado, em caso de enjoo, com banana amassada. Tinham o cuidado de molhar com guaraná o barbante usado para amarrar a boca do saquinho. Chamavam a pobre criatura para o meio do corredor entre os passageiros e lhe entregavam o saquinho. Ao pegar o saco cheio e o barbante frio e molhado que encostava na mão, não preciso descrever as cenas que aconteciam no corredor naquele momento. Algumas comissárias pegavam o saquinho e saiam correndo no corredor com o rosto pálido sem saber o que fazer com aquele “troféu” e quase vomitavam na galley.

Uma das mais radicais, foi quando uma comissária, com uma semana de voo, entrou na cabine de comando e encontrou os pilotos discutindo por várias vezes, até que, abre a porta e encontra o copiloto todo ensanguentado e o comandante segurando uma machadinha (esta machadinha se localizava na cabine de comando e fazia parte do material usado em caso de emergências). Saiu apavorada e chorando para pedir ajuda aos colegas, dizendo que os pilotos estavam brigando e sangrando na cabine. Ao entrar na cabine novamente, deu-se conta da pegadinha. Todos estavam rindo e ela indignada queria saber como tinham conseguido derramar sangue na camisa. Os pilotos explicaram: — Não era sangue, era suco de tomate.

Mas a mais pesada foi uma história que me contaram, que ocorreu nos anos 70 em um Electra indo a Belém, avião vazio quase sem passageiros, quando uma comissária, em seu primeiro voo, completamente perdida, já que naquela época não tinha instrutor e o novinho tinha que se virar sendo orientado pelo comissário mais antigo do voo, e por azar da moça um motor parou quando ela estava no corredor no carrinho, a moça ficou apavorada e na hora, abandonou o carrinho no corredor e correu pra cabine de comando, achando que o comandante não sabia do ocorrido e foi para avisá-lo, e ouviu do Comandante, que malandramente disse a ela, que a situação podia piorar, e logo que ela saiu da cabine ele e o Engenheiro de Voo pararam um segundo motor, pronto, bastou para a comissária entrar em pânico e desandar a chorar, só não teve um infarto, porque era nova. Não sei até que ponto é verdade, mas não duvido nada dessa história. 

E ainda no pernoite o novato tinha que pagar uma rodada de bebidas para todos os colegas do voo, chamado copetim, nos pernoites  desde que fosse a  sua primeira vez naquele local.

VOAR UM GRANDE LANCE . HISTÓRIAS DA AVIAÇÃO.




segunda-feira, 14 de setembro de 2020

CURIOSIDADES - SERVIÇO DE BORDO - PUBLICIDADE EM CARROS DE CORRIDA

A Varig sempre investiu pesado em propaganda, não foi à toa, ficou conhecida no mundo todo, suas campanhas sempre foram um sucesso, graças a sua competente equipe de publicidade. Como todas as grandes, a Varig não poderia ficar de fora também nos patrocínios de carros de corrida, ela esteve na Fórmula 1, com Riccardo Patrese , com Bruno Senna, em seu início de carreira e também quando a fórmula Indy esteve no Brasil, lá estava a Varig no carro de  Emerson Fittipaldi. Comentava-se nos bastidores que aquele espaço no carro do Emerson custou a bagatela de Um milhão de dólares, não sei se é verdade, não consegui confirmar esta informação.








sábado, 12 de setembro de 2020

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

HISTÓRIAS DA VARIG - LEMBRANÇAS DO GRANDE AVIÃO AVRO

 

Era outra época da aviação, mais rústica, aeronaves turbo-hélices, aeroportos menores, pelo interior do Brasil, nessa época a Varig operava com um avião pequeno que pousava em qualquer pista, o famoso Avro, sempre operavam somente três tripulantes, piloto, copiloto e um comissário, e algumas vezes acompanhavam um mecânico de voo, que como sempre era o mesmo, os tripulantes já o chamavam de Chico Anísio (devido ser parecido com o humorista) e esse rapaz passou, acredito eu, ter sido a maior vergonha da vida dele,como vou descrever a seguir: no Avro, havia uma porta

de acesso externo que ficava atrás do espelho do banheiro em frente ao vaso, que levava ao compartimento de carga do avião, e o responsável pelo fechamento dessa porta era sempre o comissário, mas que um dia,com o avião em solo, o Chico resolveu fazer o número dois, e em um dado momento um funcionário do aeroporto abriu a porta erradamente por fora, e pronto Chico ficou de calças arriadas para o aeroporto inteiro ver, foi uma risada só.

Eram tempos difíceis na aviação, o comissário fazia tudo, cuidava dos passageiros, da carga, do balanceamento e o pior recolhia em um balde que ficava preso embaixo do toalete do avião, os excrementos do banheiro, e depois despejava o conteúdo ao lado da roda direita da aeronave, longe da porta por causa do mau cheiro, mas sempre, em troca de uma caixa de lanche, o pessoal da bagagem fazia esse serviço sujo, caixa de lanche naquela época valia ouro, já os demais tripulantes comandante e copiloto no máximo verificavam o motor e pneus, uma moleza, sobrava tudo para o comissário, nas escalas, pois naquela época pessoal de terra (apoio) era raríssimo. Sempre a chegada destes voos da Varig nestas localidades, era muito esperada por todos, pois significava uma integração com o mundo externo, já que os aviões traziam os jornais do dia da capital, e isso, em época que não havia internet, era importante para a população se conectar com o mundo de fora, sem contar as encomendas e outros benefícios. O Avro era um avião seguro pequeno, que fazia curtas e médias distâncias, mas que teve um acidente registrado em 1975 em Goiás na localidade de Pedro Afonso, onde o avião após decolar, teve que retornar por problemas técnicos, e ao tentar pousar bateu em uma casa matando 3 ocupantes da casa e o copiloto Lemos, os demais tripulantes, sendo que o comissário Nelson, um português, narrou que sobreviveu, porque se sentou no último assento da cabine, ignorando o assento dos tripulantes, que no pouso voou longe, ou seja, se estivesse lá, teria morrido, assim é a vida, o comandante quebrou uma perna e os 12 passageiros a bordo saíram sem um arranhão, esse fato, serve para se ter uma ideia de onde este avião pousava, no interior do Brasil e da precariedade dos primórdios da aviação. Este avião tem uma história engraçada que me foi contada por um colega de voo daquele tempo e conta sobre um comissário antigo, já falecido, o comissário Saad, um turco e negociante, que nestes voos pelo interior com várias escalas, passava as caixas de lanche rapidamente, para, logo depois usando o próprio braço de expositor, saia pela cabine do avião oferecendo aos passageiros, os relógios, gravatas, e outras muambas que ele comprava em Manaus. Ele sempre vendia, e os passageiros, pessoas simples e garimpeiros com dinheiro compravam muito essas muambas, realmente esse comissário foi o precursor do Free Shopping a bordo das aeronaves.

VOAR UM GRANDE LANCE . HISTÓRIAS DA AVIAÇÃO.






quarta-feira, 9 de setembro de 2020

CURIOSIDADES - SERVIÇO DE BORDO - ANUNCIO DE CONTRATAÇÃO DE COMISSÁRIOS

 Naquela época, sem internet a Varig fazia seus anúncios de emprego em jornais de grande circulação pelo país, pois além de São Paulo, a Varig tinha sedes em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Nos anos 70, quando da chegada dos wide-bodies DC-10 a Varig intensificou as contratações. Sé no ano de 1973, para a chegada dos DC-10 a Varig contratou 384 comissários de bordo, sendo que 80% desse total eram mulheres e todas com idiomas, a maioria alemã, pois muitas vinham do interior do Rio Grande do Sul, e viviam em colônias alemãs Para que todos tenham uma ideia de como eram os requisitos para se tornar um comissário naquela época, e também pode-se ter uma ideia da base salarial daquela época, que em dias de hoje corresponderia a aproximadamente uns R$ 2.200 reais, um bom salário para começar.








HISTÓRIAS DA VARIG - O MODERNO E SOFISTICADO BOEING 777

  EQTO B-777 –DATA ANOS 2000 Lembro até hoje do dia que entrei neste avião, quanto conforto, avião grande, com tecnologia, muito sistema n...